Capa da edição alemã do caso Maigret e os Velhos. Não sou eu ali representada, bem entendido. Aquela é a Jaquette, governanta do morto da história, um velho e vivido diplomata, de seu título e nome, conde de Sainte-Hilaire, figurado em primeiro plano.

Tenho honras de aparecer na primeira página, dizendo para o meu marido:
Não pareço ridícula, com um vestido às flores na minha idade ?

Foram as únicas palavras que pronunciei. Era Maio e íamos jantar com os Pardon, que haviam inovado e, em vez de receber os amigos em casa, agora levavam-nos ao restaurante. Por romântica coincidência, jantámos na esplanada em que, cerca de trinta anos antes, tínhamos jantado a sós pela primeira vez. Foi pena o Simenon não ter dito que lugar era, pois a mim, varreu-se-me da memória. Alguém pediu guisado de borrego.

"Os proprietários já não eram os mesmos, mas o guisado de borrego constinuava a constar da lista da ementa e a decoração não fora grandemente alterada, com pequenos candeeiros nas mesas, muitas plantas em vasos e uma variedade de Chavignol, como vinho da casa."

Torno a aparecer na última página, logo a seguir ao meu marido ter bebido duas grandes canecas de cerveja ao balcão da Brasserie Dauphine, após o caso resolvido.
Simenon diz que eu deveria estar à espera que ele telefonasse a dizer que não iria jantar, como acontecia, frequentemente, no decurso de uma investigação. E que fiquei admirada quando, às seis e meia da tarde, escutei os seus passos e abri a porta no exacto momento em que ele alcançava o patamar. Que o achei mais sério do que o costume, e que não ousei questioná-lo quando me apertou nos braços, durante algum tempo, sem nada dizer. Bem... quando falou foi para perguntar o que era o jantar.



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